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Em 5 anos, venda de scooters cresce 801,4% no Brasil

Mas até agora o segmento representa só 1,8% do mercado de motos. Agilidade e praticidade atraem usuários; rodas pequenas podem ser risco.
Publicado no G1.com em 13/09/2013.
Em cinco anos, a venda de scooters no Brasil saiu praticamente do zero e cresceu 801,4%, passando de 3.280 unidades, em 2007, para 29.566, em 2012, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motos (Abraciclo). Em comum com as motos convencionais, estes veículos proporcionam agilidade no trânsito, mas se diferenciam pelo conforto e maior praticidade oferecidos.
Câmbio automático, assoalho para repousar os pés, maior proteção aerodinâmica e, geralmente, espaço para levar objetos embaixo do banco têm feito pessoas trocarem carros, transporte público e até motos tradicionais pelos scooters.

“É um verdadeiro companheiro. Antes não conseguia fazer quase nada durante o dia. Agora arrumei tempo para estudar e ir à academia”, diz Ana Paula Hofman, administradora de empresa de São Paulo, sobre seu scooter.
O segmento de motos, em geral, teve uma baixa de 20,9% nas vendas em 2012. Os emplacamentos de scooters também caíram, porém, bem menos: 5,3% sobre o ano anterior.

Em 2011, quando começou a crise no setor de duas rodas, as vendas de scooters foram 3,7% menores do que em 2010, o melhor ano do setor no Brasil, com 32.405 scooters comercializadas (veja tabela completa ao lado).
Apesar de disparar em 5 anos, os números do segmento no Brasil não impressionam quando comparados com os da Europa. Na Itália, os scooters são um ícone, com a Vespa, e representam 71,3% das vendas de motos. Em 2012, mesmo com o mercado italiano em crise, foram emplacadas 147.119 unidades, de acordo com a Ancma (Associazione Nazionale Ciclo, Motociclo e Acessori), a associação das marcas  de motos no país.

No Brasil, com as atuais 30 mil unidades por ano, o segmento ainda representa apenas 1,8% das vendas de motos, que ultrapassaram 1,6 milhão em 2012. Mesmo que o uso de scooter seja cultural na Itália, e em outros países como França e Espanha, as menores vendas no Brasil também são explicadas pela baixa oferta de modelos deste tipo no país.
Severo já está no quarto scooter e garante que seu “companheiro” atual, um Prima, também é bom de estrada, apesar de nitidamente ter aspecto urbano, e diz já ter ido até Argentina e Uruguai com o veículo.

No entanto, mesmo que possam ser utilizados em rodovias, os scooters de baixa cilindrada podem sofrer um pouco, principalmente em estradas com muitas subidas. Devido ao câmbio do tipo CVT, as retomadas são mais lentas que em câmbios convencionais.

Uma das principais vantagens do scooter é seu tamanho, mas alguns modelos trazem rodas pequenas, de 10 polegadas, que podem se tornar um empecilho nas ruas das cidades brasileiras. “Não que isso leve você a cair, mas pode sofrer em buracos”, explica designer Alex de Souza Valdarnini, de 38 anos, de São Paulo.
Por este motivo, o paulistano acabou escolhendo um modelo de rodas maiores, um italiano Malaguti Password 250, de 14 polegadas. Ele utiliza o veículo diariamente para ir de reunião e reunião, sempre vestido socialmente.
Além de serem diferentes das motos, os scooters também podem ser confundidos com modelos do segmento Cub, como a Honda Biz e a Yamaha Crypton, mas são diferentes em sua estrutura.
“No scooter, o usuário vai sentado, em posição mais relaxada, enquanto na moto vai montado”, explica o designer.
Os modelos Cub têm, na maioria dos casos, câmbio do tipo semiautomático, não trazem assoalho como o scooters e geralmente existe pouco espaço para carga sob o banco ou nenhum, motivo que levou a estudante Lídia Maria a escolher o scooter. “Preferi o Lead ao invés da Biz por causa do espaço embaixo do banco”, explica a mineira.

Comparado a modelos de outros segmentos da mesma cilindrada, os scooters tem valor similar ou ligeiramente maior. Além disso, por contarem com câmbio automático, sua manutenção também é sensivelmente mais cara. Em caso de queda, por ser envolto em carenagens, os reparos geralmente se tornam mais caros.
O lançamento do PCX 150 pela Honda neste ano, um modelo mundial moderno, que traz entre outros atrativos o sistema “start-stop” foi outro passo importante para o nicho. Já presente em carros mais caros, este dispositivo estreia nas motos com o PCX e desliga automaticamente o motor nos semáforos após 3 segundos parado e o religa automaticamente quando o motociclista acelera.
Com apenas 4 meses na loja, o PCX já é líder de mercado, superando seu “irmão” de marca, o Honda Lead 110. O ano ainda deve ter mais novidades para o Salão Duas Rodas, que acontece no mês que vem, e a Dafra, que atualmente possui o Smart 125 e Citycom 300i, já sinalizou que deve ter ao menos mais dois scooters no Brasil; um deles será o Maxsym 400i. A Yamaha, além da T-Max 530, que acaba de ter a importação confirmada pela empresa, deve apostar em um sucessor para o Neo, que saiu de linha neste ano no país.

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